VIOLÊNCIA PSICOLÓGICA.



Muito se tem falado acerca da violência doméstica e sempre quando se trata de murros, pontapés , socos e assassinatos brutais.
 E este tipo de violência é mais fácil de denunciar, (desde que a vítima tenha coragem para tal), uma vez que existem marcas físicas que provam a agressão!
Porém, há um outro tipo de abuso acerca do qual pouco ou quase não se  fala, por não haver maneira de  provar em tribunal, nem de outra forma. É a chamada: “VIOLÊNCIA PSICOLÓGICA", que é tão ou mais destrutiva que a outra, uma vez que aniquila totalmente a pessoa por dentro, paralisando-a, tornando-a paranóica, sem perspectiva de vida.
A mulher passa a sentir-se feia, inútil, indesejável e acaba por sucumbir num mundo de trevas e vive encarcerada no submundo da dor e da humilhação.
Nos próximos dias estarei postando alguns trechos de um diário de uma mulher que viveu esse drama. 


Você está aqui, no entanto parece não está. Ou sou eu que não estou?
Você não me vê, olha através de mim, não pra mim, não me ouve, não me sente e nem se importa com minha dor. Sua companhia, o computador, a tv, os amigos, o futebol, a cerveja e...
Vou dormir, nosso quarto cama vazia, fria. Como eu gostaria de seus braços em volta do meu corpo, uma palavra, um carinho, um olhar. Amor, cuidado, não sexo por sexo, mas desejo.
Meu peito dói meus olhos se enchem de lágrimas e uma tristeza assola minha alma e tira o vício, a paz.  Será que em outras bocas deposita teus beijos? E em outro corpo sacia tua sede?
Com tais pensamentos te espero, me perfumo, penteio os cabelos, até coloco uma nova camisola que comprei escondido com minhas economias. 
Você chega...
Eu me insinuo...
Mas você não vê.  Por vezes me agarra afasta minhas pernas me invade, me possui, sem no entanto me tocar, acariciar, beijar, sussurrar palavras de amor em meu ouvido.
Se movimenta em mim, me desespero, me angustio.
Você goza... vira pro lado e dorme.
E eu mais uma vez não amei, não senti, não gozei...
E mais um pedacinho de mim se esvai e se perde na escuridão da noite, da solidão e do abandono.
É queridos leitores até parece texto de folhetim de novela mexicana, mas infelizmente é a realidade de milhares de mulheres que vivem escravizadas, dia -a- dia mutiladas. Indefesas com medo, com vergonha, ainda é possível ouvir --Nossa!! Mas você tem tudo dentro de casa. Mas falta o principal. Amor, cuidado, carinho. E o que dizer daquelas que nem conforto material tem?
Uma de minhas alunas me fez chorar ao me relatar que sempre que voltava da faculdade a noite, ficava horas na porta de casa torcendo para que seu filho ainda pequeno, chorasse muito com fome, para que seu marido se dignasse a abrir a porta. E quando entrava era sempre humilhada e só jantava se a vizinha lhe desse e por vezes ele jogava a comida fora e ela tinha que dormir com fome. 
Imagine amigo leitor a dor dessa mulher? 
O tormento e desamparo?
Com isso, por hora me despeço pois já estou a chorar...

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