Valorizando o nacional


Olá meus queridos! Trago hoje a conhecer mais uma autora nacional, que bem cedo já começou a traçar seu caminho no fantástico mundo da escrita.
Conhecendo a VILA TULIPA:

Localizada no curioso Bairro das Vilas, a Vila Tulipa é o lar de Paulo e Tatiana, amigos inseparáveis que aprontam todas pelo bairro, seja brincando com os amigos da escola, se divertindo na biblioteca, ou até mesmo dando uma lição de diplomacia na universidade.
A amizade entre os dois surge no dia em que a família da intrépida menina faz sua mudança para a vila onde Paulo mora, mas apesar de serem vizinhos, os dois só vão se conhecer no hospital, quando no primeiro dia morando na vila, Tales, o irmão mais velho da Tatiana, sai de manhã cedo para um volta de patinete e atropela a Bia, irmã mais nova do Paulo, e sua nova vizinha. 
Toda a confusão no hospital dá lugar ao reencontro de velhos amigos: a mãe da Tatiana, dona Conceição, é amiga de infância da mãe do Paulo, dona Carmen, e tudo se resolve de modo que as duas famílias, agora vizinhas ficam muito amigas, sem nenhum ressentimento com o acidente, que afinal de contas nem foi tão grave assim. 
A partir daí, Paulo e Tatiana ficam amigos inseparáveis que vivem inúmeras aventuras e desventuras nesse primeiro ano da menina no lugar.
Juntos, conquistam a má vontade do estagiário da biblioteca do bairro; arrumam a maior confusão no hospital quando a Bia sofre um segundo acidente, dessa vez mais grave; aprendem e se divertem pra valer na escola; curtem o som da banda de rock do Tales, o Guindaste Errante; se enrolam de verdade quando a menina perde um livro da biblioteca, e mostram a um brutamontes bagunceiro na universidade que brigar nunca vale a pena, e que é possível sim resolvermos os maiores impasses na base do diálogo de modo civilizado.
Mas nem tudo caminha tão maravilhosamente quanto o esperado, e os moradores da Vila Tulipa são surpreendidos com o poder que uma vingança e o rancor guardado e acumulado com o tempo é capaz.
Minhas impressões:
Uma leitura leve, gostosa com a qual você dá boas risadas com Tatiana, uma pequena travessa que apronta  todas, mas se sai sempre com tiradas engenhosas. Vila Tulipa me fez reviver algumas aventuras da infância, as amizades, armações e encrencas que quando certa idade chega damos boas risadas ao lembrar com saudades. A forma simples que a autora constrói a trama para mim foi o mais  legal de tudo, sem deixar de mesclar no final uma boa dose de aventura que em alguns momentos temi pela Tatiana e seus amiguinhos.

 Foi assim que curti essa aventura, depois de Lorenna que, logo que  eu cheguei com o livro e ela soube que era juvenil me tomou de assalto ( rss). Ela também gostou muito, principalmente por ser a linguagem que ela conhece e está exatamente neste momento bom da vida.
A Talita é maranhense e  eu a conheci em uma reunião da ACADEMIA DE LETRAS DE PAÇO DO LUMIAR, juntamente com seu pai o talentosíssimo Jô Santos, e uma amizade logo surgiu ali e tem sido assim, muito bom.
Segue uma entrevista com a autora para conhecermos um pouco mais sobre sua vida e projetos.


Ahtange. F - Quem é Talita Guimarães?

T.G -Tenho 23 anos, sou formada em Jornalismo e gosto de escrever desde criança. Gostava muito de ler os livros da Stella Karr que eu e minha mãe pegávamos na Biblioteca Farol da Educação e me identificava muito com as aventuras vividas por personagens infantis. Como eu gostava muito de desenhar, comecei a criar personagens e com o tempo passei a aproveitar as historinhas que havia desenhado transformando-as em textos. Algumas dessas histórias resultaram no meu primeiro livro, o Vila Tulipa.

Ahtange.F  - Como foi ser premiada assim, logo na primeira publicação?

T.G - Foi inesperado, porque comecei a escrever o livro sem nenhuma ideia de publicar ou inscrever em nada, mas bem na época que terminei a história, as inscrições para o XXX Concurso Literário e Artístico Cidade de São Luís, promovido pela Fundação Municipal de Cultura – FUNC, estavam abertas e aí resolvi inscrever o livro achando que a banca daria algum retorno com correções e dicas. Depois da inscrição, em julho de 2006, só fui ter notícia da organização do concurso em dezembro quando a coordenadora na época, a Marília Borges, ligou para minha casa para me avisar do evento de premiação e informar que eu havia ficado em 2º lugar no Prêmio Odylo Costa, Filho, categoria Conto. Foi uma surpresa e uma grande felicidade porque significava que se a história tinha conseguido conquistar os leitores, eu estava no caminho certo. Fico feliz quando os leitores gostam das aventuras do Paulo e da Tatiana porque me diverti muito criando as histórias e isso significa muito para mim.
Ahtange. F - Na aba do livro você nos fala um pouco do processo de criação e do apoio de seus pais.

T.G -Sim, porque toda a educação e o apoio que meu pai João e minha mãe Carmen sempre me deram foram essenciais para minha formação. Sem eles, certamente eu não teria entendido o mundo da mesma forma, aprendido a viver com princípios importantes como respeito, humildade, dignidade e bom senso. Eles sempre souberam nortear minhas ações e me ajudar a enxergar a vida com clareza sem deixar de lado as minhas necessidades e escolhas em cada fase da vida. Nesse sentido, minha infância foi muito feliz, porque me foi permitido criar e sonhar sem me desligar do mundo real. Foi na medida certa.

Ahtange.F - Você acha que hoje falta um pouco desse apoio e convívio familiar para o desenvolvimento da criança?

T.G -Acredito que as famílias sempre tiveram formas muito diferentes de educar seus filhos, mas hoje, com tantas coisas que distraem, ocupam e separam as pessoas, penso que falta uma unidade familiar que forme pessoas com princípios sólidos acima de tudo. A família não deve perder o papel de primeira instituição de formação do ser humano e de contato com o mundo. É a base, onde aprendemos desde as coisas mais elementares para a sobrevivência até a viver no sentido mais bonito que existe: ser alguém consciente do mundo, das pessoas e do papel individual de tornar o lugar em que vivemos melhor.

Ahtange.F - Você já buscou ou está buscando uma editora para uma segunda edição? Você pretende dar continuidade as aventuras de Paulo e Tatiana?

T.G -Tenho um projeto de reeditar Vila Tulipa com ilustrações, porque enriquece a história contada e cria imagens que permitem viajar pelas cenas e quem sabe incentivar o leitor – principalmente a criança – a também criar mundos imaginários desenhando e se expressando artisticamente. É uma ocupação positiva para a criança: ler, desenhar, dar voz para a imaginação, enfim ter possibilidades de pensar e criar. E um livro pensado com cuidado na forma é um grande aliado nesse processo de incentivo.
Quanto a uma continuação da história, tenho escrito bem devagar, mas por uma questão de falta de tempo mesmo. Mas sempre que tenho alguma ideia tento retomar de onde parei. Tenho alguns trechos e falas anotados para desenvolver assim que tiver mais tempo e calma para sentar e adentrar de novo ao mundo dos personagens. Para escrever Vila Tulipa, preciso me concentrar como se estivesse vivendo na vila junto com eles. É um exercício de imaginação e tem que ser divertido, preciso do meu bom humor para conseguir dar vida aos personagens.

Ahtange. F  - A ainda inegável rejeição ao autor nacional é sentida na pele de quem começa a trilhar esse caminho. Como tem sido o processo de apresentação e distribuição do VILA TULIPA?

 T.G -Como a primeira edição foi independente, com uma tiragem de 300 exemplares patrocinados pela escola em que cursei o ensino médio, o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Maranhão - IFMA (antigo CEFET-MA), a distribuição foi toda por minha conta. Na época eu tinha só 17 anos e por falta de experiência e contatos não cheguei a fazer muita divulgação e nem distribuir por muitos pontos de venda. A comercialização do livro foi bem tímida, até porque eu mesma não tenho muito jeito para a coisa, então pus em consignação em uma só livraria de São Luís que até fechou alguns anos depois e me devolveu quase todos os exemplares que eu havia entregado lá. Desde então, quem quiser adquirir um exemplar pode entrar em contato comigo.

Ahtange F - O seu blog Ensaios em Foco é de cunho jornalístico e apresenta ótimas matérias.
http://ensaiosemfoco.blogspot.com.br/ Porém fiquei curiosa. Porque não fala, do VILA TULIPA? Não vi um cantinho todo especial para ele.

 T.G -Ah, obrigada por gostar do blog! Bom, eu nunca tinha pensado em criar um espaço permanente para o livro no blog. Sou um pouco tímida para divulgar o que faço. Na época do lançamento do livro, que contou com muito apoio do IFMA, participei de cafés literários e vários eventos da escola e aí o livro foi mais divulgado na imprensa local e no meu próprio blog. Mas hoje não tenho trabalhado muito nisso. Gosto mais de falar sobre a história, sobre a importância da leitura do que em ter que correr atrás de vender o livro. Com os recursos e os exemplares que tenho hoje, não acho que seja prioridade exatamente. Mas realmente, eu devia colocar uma sinopse da história no blog para convidar os leitores a conhecê-la. Obrigada pela dica!

Ahtange F.   O que é para você fazer parte de um movimento literário em um município tão carente de tudo?

 T. G   -A ideia de mobilizar pessoas que tem envolvimento com artes – músicos, poetas, escritores...   é louvável porque vivemos em um município cuja vida cultural é quase inexistente. Contamos com pessoas de potenciais fantásticos, mas ainda atuando de forma isolada. Não temos teatro, sala de cinema ou algum espaço de discussão e produção de conhecimento efetivo onde a comunidade possa se envolver, as crianças e os jovens possam despertar para novas possibilidades, desenvolver senso crítico e participar de movimentos que despertem a consciência da realidade em que vivem e devem atuar. Assim, reunir pessoas que tem em comum a arte, que é uma das formas mais bonitas de libertação do ser humano, para organizar o cenário cultural do município é muito importante. Desejo que esse movimento literário que vem se organizando há anos em Paço do Lumiar e visa culminar em uma Academia de Letras Luminense seja um passo importante para a autoestima e a formação cultural da população do município e não caia no erro de ficar limitada a uma casa de intelectuais que confraternizam entre si o conhecimento e os potenciais que tem. Porque penso que também é dever de um movimento desse porte pensar na educação e em compartilhar experiências com pessoas que tem sede de conhecimento, mas não tem acesso por motivos diversos.
***

Obrigada Talita pelo cainho e disponibilidade, torço para que seus projetos saiam do papel o quanto antes.
Bjos e gostei muito de conhecer mais de você.
Até mais meus queridos, deixe seu carinho e vamos apoiar esses novos talentos bjos!

3 comentários :

  1. Nossa amiga, achei muito interessante a história de vida de uma menina tão nova, que nem tinha pretensões quanto ao seu livro e acabou ganhando o concurso. Parabéns a autora e obrigada por nos apresentar mais colegas escritores.

    Beijos.

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  2. Oi amiga, ela é jovem e já na luta por um espaço que ainda é muito negado ao novo autor.
    O importante é nunca desistir não é?
    Eu sei por exemplo que logo verei A hora da verdade publicado.
    Bjos!

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  3. Amém. São pessoas como tu que me fazem ter fé e esperança. Beijos.

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Olá, este é um sonho estou lutando muito para torná-lo uma realidade. Dê sua opinião, critique de forma construtiva.
Obrigada, um abraço indelével.
Carinhosamente Ahtange.