O que te marcou?

Olá meus queridos, há tempos não atualizo não é mesmo? O tempo está muito corrido para mim e as tarefas se acumulando. Bom , mas este post é muito, muito especial é o resultado da promoção.    O QUE TE MARCOU? 
Assim como MARCAS INDELÉVEIS, o conto também é baseado em um relato verídico.
Obrigada Fê, por partilhar comigo este pedaço tão marcante de sua vida.
Conheça o blog da nossa querida Fê:  http://fernandabizerra.blogspot.com.br/
Então vamos lá. Esta é uma das ganhadoras, isso mesmo a princípio seria um ganhador, no entanto dois dos inúmeros relatos que recebi me tocaram profundamente, este em especial e confesso, foi muito difícil escrever este conto. Mexeu muito com algumas marcas que trago lá no fundo do peito.

Uma curva e um adeus... Duas datas, dois amores e um silêncio...
Era a primeira vez que Rob saíra sozinho para a balada, estava feliz e tudo era contagiante.
Lá pela madrugada, as duas garotas com as quais ele dançara a noite toda, lhe pediram um favor.
_ Ei Rob, que tal nos levar em casa? Não fica longe é aqui perto.
_ Hum, não sei está bem tarde devo voltar para casa logo.
_ Por favor, não vai demorar, vai?
Elas imploravam para que ele fosse como era muito educado não se recusou.
_ Tudo bem meninas, vamos.
Subiu em sua tornado e saiu a 120 km/h. Tudo ia bem até uma das meninas lhe chamar
atenção, Rob virou-se na tentativa de ouvi-la, como não conhecia a estrada, nem
imaginava que se aproximava de uma curva perigosa.         


Mel e Rob tinham uma ligação muito forte, se amavam e se compreendiam como
ninguém mais, no entanto não se viam acerca de um ano.  Mel, seus pais e dois irmãos,
mudaram-se para Goiânia, e Rob estava em Belém. A princípio todos mudariam para lá,
como não foi possível, ele decidira ir morar com uns tios por quem ele tinha imenso afeto
A saudade era tão grande que chegava a doer e, Mel sabia que Rob sentia igual, além do
mais logo se veriam outra vez. Aquela noite sonhara com ele e sua habitual alegria, seu
sorriso era contagiante, como sentia sua falta. Acordara com sua lembrança tão viva,
sentia como se ele estivesse ao seu lado. E uma saudade a invadiu.

 

Um segundo de distração e a moto se chocou  contra a rocha, ele nem mesmo
teve tempo de entender o  que estava acontecendo, tamanha a velocidade que
seu corpo se chocava contra aquela parede dura e fria, miseravelmente disposta
naquela curva.
Nem um arranhão, ou ossos quebrados... Porém a vida o abandonou, o destino
arrancara-lhe o brilho dos olhos que se fecharam para sempre, e seu último
pensamento foi o rosto moreno, brejeiro de sua querida irmã com seus cabelos
cacheados. Um traumatismo craniano o levou embora.
Mel, não podia suportar tamanha dor, o fato ocorreu no domingo, ela não pode viajar
para se despedir de seu amado irmão o que tornava a dor ainda mais insuportável. E
como se não bastasse teria que ir a escola na segunda.
_Ah, devo ir, lá encontrarei minha amiga e não me sentirei tão só. - pensou.
O que Mel não esperava era descobrir naquele momento que Duda, não era tão
amiga assim. Ao chegar triste, cabisbaixa, foi de encontro a amiga que perguntou o
que houve, ouvindo a resposta simplesmente virou e foi embora.
O chão mais uma vez se abriu sob seus pés, e as lágrimas escorreram livremente
mais uma vez, nunca entendera o que levara Duda a agir tão friamente diante de 
sua dor.                                                               ****

Quatro anos se passaram desde o ocorrido, porém a dor que ainda grita no peito de
Mel, é como se tivesse acabado de saber da partida tão repentina de seu adorado
Rob.  Como se não bastasse 02 dias depois da tragédia, era exatamente 
o aniversário do outro irmão. Oh Deus! Como comemorar? Parecia indigno
impossível até, e durante esses quatro anos, no aniversário de Ricardo não tem festa, 
na verdade não se sabe o que se passa na cabeça dele, pois este fato ninguém
comenta. Coitado, sei que também sofre como toda a família... E em seu aniversário
ninguém consegue olhar para ele e dizer feliz aniversário...
Mel, nunca mais foi a mesma, se deixou esmagar pela dor, cobrindo-se do negrume
do luto por muito, muito tempo. E chorava todos os dias,  sua alma perdida em meio
a falta e o vazio deixados pelo amor de seu irmão, e ver a dor dos pais, que não
podiam disfarçar sua dor, Mel foi se deixando aprisionar em uma depressão
profunda e perigosa.

O desejo de morrer passara a ser companheiro constante, levando-a ao fundo do
poço.  A dor já não doía tanto, não por ser amenizada pelo tempo, mas por ela ter se
acostumado a senti-la como parte de si mesma.  A dor da perda dilacera seu peito
todos os dias impiedosamente.  O pior é que esta dor vem sendo sentida
silenciosamente por cada um, este assunto é tabu em casa.
                                                              ****

Quatro anos de ausência de uma presença, que é constante em suas lembranças... 
Mel se sentiu incapaz de fazer muitas coisas, entre elas ser feliz. Deixou até mesmo de sorrir, como se seu sorriso ferisse a ausência do irmão.
E somente Deus que tudo sabe, tem mantido Mel de pé, mesmo não sendo capaz ainda de se permitir viver, ainda que a dor jamais a deixe, já não chora tanto quanto antes, embora saiba que a dor nunca vai cessar... Que vai doer para sempre... Ainda lhe resta o desafio de olhar para o outro irmão, sorri e dizer - Feliz aniversário.

Rob, onde você estiver, meu amor estará pra sempre contigo. Saudades eternas, MEL.


Nota: muito obrigada a todos os participantes, amei cada relato.

10 comentários :

  1. Essa é a palavra que define princesinha. EMOÇÃO!!!Muita emoção.
    Bjinhos linda.

    ResponderExcluir
  2. Nossa que história emocionante. A dor da perda realmente é incurável, o tempo pode passar mas jamais trará a pessoa amada de volta.
    Parabéns pelo conto amiga, e parabéns a ganhadora do livro.

    ResponderExcluir
  3. Nossa que história emocionante. A dor da perda realmente é incurável, o tempo pode passar mas jamais trará a pessoa amada de volta.
    Parabéns pelo conto amiga, e parabéns a ganhadora do livro.

    ResponderExcluir
  4. É isso Neivinha, a dor de uma perda dessa natureza só entende a proporção do tamanho da dor quem já a sentiu na pele. Esse relato me tocou bem fundo.
    Bjinhos e o seu é o próximo.

    ResponderExcluir
  5. Flor.

    Eu não sei o que falar a respeito até porque é a minha história e.... de verdade eu não sei como falar nada.

    Beijokas!

    Fê!

    ResponderExcluir
  6. Se existe uma dor maior do que a perda de um ente querido, ainda não a conheço. E falar dessa dor pode ser ainda pior do que senti-la. Parabéns pela coragem em partilhar...

    Emocionada...

    Lu. Franzin

    ResponderExcluir
  7. Eu me emocionei aqui!

    Só tenho isso para dizer agora!

    Parabéns!

    ResponderExcluir
  8. Olá Fê, obrigada pelo carinho.
    Realmente é emocionante e para mim foi muito tocante escrever este conto.
    Volte sempre terei muito prazer em sua visita. Bjinhos!

    ResponderExcluir

Olá, este é um sonho estou lutando muito para torná-lo uma realidade. Dê sua opinião, critique de forma construtiva.
Obrigada, um abraço indelével.
Carinhosamente Ahtange.