VALORIZANDO O NACIONAL


                                                   Porque ler CLANDESTINO AMOR?

“É egoísta, imoral, cruel - eu sei - mas ainda assim é amor”...
Esta não é só mais uma história de amor, mas uma forma de amor. E o que é o amor, se não dois corpos que acendem num desejo sôfrego que arde e não cessa nunca? Este é, particularmente, o tipo de relação vivida por Eduardo Martins e Melissa Mackenzie, protagonistas do romance policial Clandestino Amor.  Um jovem político atraente que, nos dilemas de sua vida pessoal, rende-se aos encantos da doce e romântica Mel.
Histórias de amor do tipo clandestinas não são como as outras. Pode ser o céu ou o inferno de quem se atreve a vivenciá-las. Amores clandestinos são bandidos, precários, furtivos e provavelmente transitórios, mas ainda assim, podem ser amor.  É desta forma que Ahtange Ferreira desenha o envolvimento entre seus personagens.  A antagonista e lunática Liz, esposa traída, que tenta manter seu casamento a qualquer custo, não por amor, mas para satisfazer seu ego e suas ambições, é a máxima representação do desequilíbrio emocional e da falta de amor e harmonia que também permeia as relações “socialmente aceitáveis”. O casamento de Lizandra e Eduardo é só mais uma prova de que nem sempre a outra é, de fato, o motivo de um rompimento definitivo. Muitos casamentos já estão em ruínas bem antes de um dos parceiros se entregar à clandestinidade de uma relação. Sua aproximação do inescrupuloso Rogério não só consagra sua personalidade doentia, como também mostra ao leitor as inúmeras facetas que podem envolver a sustentação de algumas relações.


O ponto central do romance de Ahtange Ferreira é mostrar que o moralmente aceitável, algumas vezes, pode se tornar tão imoral a ponto de comprometer a integridade física e emocional de outras pessoas.  Em sua narrativa ela instiga: Devemos dar uma chance ao amor, ou rejeitá-lo dependendo das circunstâncias em que ele se manifeste para nós? Existe amor real e sincero em um relacionamento como o de Mel e Edu, ou será apenas a confusão de um forte desejo carnal? Estas questões podem ser melhores analisadas na relação estabelecida mais adiante entre Vasques e Melissa. Apesar de nutrir um forte sentimento pelo advogado, a jovem Mel não consegue amá-lo com a mesma intensidade com que ama Edu. E então ela se posiciona: a quem devo amar? O amor é uma escolha? Mais uma vez razão e emoção aparecem para dividir um personagem que, tem muito em comum com muitas pessoas que vivem por aí.
Além de nos conduzir romanticamente a uma reflexão sobre os padrões morais de relacionamentos, Ahtange Ferreira também aguça a imaginação e o desejo sexual do leitor através das cenas de sexo ousadas entre seus personagens. A maturidade sexual de sua protagonista, Melissa Mackenzie, é percebida na forma despudorada com que ela se entrega a seu amante Eduardo Martins. Mel é uma mulher segura de si e de seus desejos, embora figurar como amante, algumas vezes, a deixe vacilante quanto à sua condição feminina. Os questionamentos dela ao longo da trama nos apresentam à uma mulher consciente e dotada de princípios, mas que não consegue se conter diante do amor arrebatador que se instalou ali.
Como não poderia deixar de ser, a autora lança mão de um grande trunfo dentro dos romances policiais. A existência de crimes, suspeitos, investigações e do tão esperado julgamento onde verdades serão reveladas.
Em sua terceira obra a maranhense Ahtange Ferreira demonstra mais uma vez seu interesse em retratar através de seus personagens o comportamento humano e suas paixões. São as experiências alheias e vivenciadas em seu dia-a-dia que dão embasamento para a construção de suas histórias. Estamos diante de mais uma narrativa que reflete, ainda que em partes, um momento íntimo e pessoal experimentado por alguém na vida real. Assim são os livros e suas histórias. Uma forma de nos permitir à imaginação e à reflexão. Uma forma de reiterar, ou desmitificar alguns dos nossos conceitos. Uma forma de nos dizer que, na transitoriedade de todas as situações, personagens somos todos nós.
Boa leitura!

Marcélia Macidália

Revisora

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Obrigada, um abraço indelével.
Carinhosamente Ahtange.