Quando e eu tive que seguir...

No instante em que vi teus olhos, mergulhei neles, me perdi e me encontrei junto ao teu peito. 
Agora tenho um coração ferido. Sinto-me esmagada por um rolo-compressor,como um ferro em brasas toca uma camada de cera, tudo cai, estilhaços de mim no chão frio, fétido e impassível da indiferença.
Sinto-me como uma pequena gota de orvalho caindo, vertiginosamente no deserto em meio a uma tempestade de areia, não sei se se morre de amor, só sei que, por amor quase morri o que restou desse amor, transformei em não sei o que, que foi não sei para onde, só sei que me levou e o que restou de mim, se caberá outro amor? Não sei...


Às vezes o que sentimos é tão íntimo, tão forte, tão profundo que tudo o mais se torna tão pequeno, tão insuportavelmente insignificante , que até o ato de sentir se torna
ínfimo, porém lancinante... Hoje busquei algo que não te lembrasse em mim... Em vão revirei minhas gavetas e em cada uma delas, lá estavam resquícios de ti... Surgiram lembranças, promessas e juras de amor... Quando estamos apaixonados, o eterno parece tão certo, tão presente... E tudo que somos e temos são certezas coloridas, embaladas por um sonho de amor.
Se via o mar, nas ondas que vem e vão, lia tuas palavras que em profusão derramavas em meu coração. Se via o pôr-do-sol, lá estava o brilho do teu olhar refletindo meu rosto no espelho da tua saudade. Se na chuva, sentia cada gota como os beijos que tu sonhavas em depositar em meus lábios.
Agora tudo que tenho são lembranças que não desejo.
Saudades no peito... E assim... Ao me derramar intimamente em forma de letras no papel borrado da minha saudade, tentando me reconstruir em cada vírgula, para no abismo
da tua ausência não sucumbir... Sinto-me como num estado de torpor, uma sensação tal qual eu não sei explicar, apenas sinto um vazio e uma inquietação no íntimo, vindo de uma série de eventos derradeiros, causando-me angústia e fraqueza no espírito.
Como nos deixamos levar por intrigas e sentimentos contraditórios, meu coração sente no fundo uma certeza, então os olhos influenciados pela aparência perturbam todo meu ser com dúvidas e incertezas... Incertezas que se alojam na alma, palavras ao vento, sentimento inconstante, inconciso, maldito em mim, nas entranhas sedimentado, latente....
Ah... Quisera eu, fugir para qualquer lugar... Onde pudesse tão somente me encontrar no aconchego do teu peito e descansar na paz e calor do teu corpo...
E qual não é meu desespero, esse lugar não existe mais. Deus!!! Ai de mim e fugir já não posso. Lutar já não tenho forças... Já não sei ser metade, ele fora meu todo, mesmo
que por uma noite. Um todo perdido no vazio pelo destino imposto, mas inaceitável em mim”.
Todos os direitos reservados a Ahtange Ferreira. ( Trecho do livro TEU OLHAR). 

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Obrigada, um abraço indelével.
Carinhosamente Ahtange.